A administração correta de medicamentos em bovinos é uma responsabilidade que excede a mera aplicação de uma injeção ou o fornecimento de um comprimido. Este processo exige conhecimento técnico, atenção aos detalhes e respeito às normas sanitárias. Cada etapa, desde a escolha do medicamento até o registro da aplicação, interfere diretamente na saúde do rebanho, na produtividade da fazenda e na segurança dos alimentos ofertados ao consumidor.
O objetivo deste guia é fornecer informações claras sobre técnicas, riscos, tipos de aplicação e boas práticas, ajudando produtores, veterinários e estudantes a tomar decisões mais seguras e conscientes. Continue sua leitura!
Por que a administração correta de medicamentos é vital?
O manejo adequado dos produtos veterinários representa o primeiro passo para garantir a saúde animal e evitar prejuízos econômicos. Quando um bovino recebe o tratamento correto, as chances de recuperação aumentam, o tempo de convalescença diminui e a produção de leite ou carne retorna rapidamente ao patamar esperado.
Ignorar as orientações técnicas pode resultar em agravamento de doenças, tornando infecções simples em quadros graves. O surgimento de resistência microbiana é outro problema relevante: uso inadequado ou repetido de antibióticos faz com que bactérias e outros microrganismos se adaptem, tornando o tratamento futuro mais difícil e caro.
Além disso, resíduos de medicamentos em carne e leite prejudicam a credibilidade da propriedade, podendo impedir o acesso a mercados exigentes e trazer prejuízos com multas e descarte de produção.
A legislação brasileira é rigorosa nesse aspecto, e, para manter-se dentro da lei e do padrão de qualidade aceito, é preciso seguir à risca as orientações de profissionais e órgãos reguladores. A administração responsável de medicamentos e tratamentos terapêuticos é, portanto, uma exigência para todos que desejam atuar de maneira sustentável e competitiva.
Os principais riscos do uso inadequado de medicamentos
Os riscos do uso incorreto de medicamentos vão além dos efeitos sobre o animal tratado individualmente. Um erro de dosagem, aplicação ou escolha do produto pode desencadear reações adversas, como inflamações, abscessos, intoxicações e até a morte do bovino em casos extremos. A proliferação de microrganismos resistentes é uma consequência preocupante, pois dificulta o controle das principais doenças que acometem o gado e aumenta a necessidade de tratamentos mais complexos.
Resíduos em carne e leite resultam em produtos não aptos para consumo, levando a prejuízos financeiros significativos e colocando em risco a saúde pública. As consequências legais incluem multas, embargo da produção e perda de credibilidade perante compradores e consumidores.
Quais são as principais vias de administração em bovinos?
Conhecer as vias de administração é essencial para um tratamento eficaz. As quatro principais são:
- Subcutânea: o medicamento é aplicado entre a pele e o músculo, com absorção mais lenta. Indicada para vacinas e alguns antibióticos, essa via permite menor reação local e menos dor.
- Intramuscular: a aplicação ocorre diretamente no músculo, proporcionando absorção mais rápida e ação prolongada. É a via preferida para vacinas e a maioria dos antibióticos;
- Intravenosa: indicada para emergências ou medicamentos que exigem rapidez, a administração é feita diretamente na veia, geralmente na jugular. Requer habilidade e deve ser realizada por veterinários;
- Oral: utilizada para vermífugos, suplementos e medicamentos líquidos ou em pó, administrados via sonda ou pistola dosadora. Exige atenção especial com bezerros e animais debilitados.
A escolha depende do medicamento, da condição clínica do animal, da recomendação do fabricante e da avaliação do veterinário. Cada animal pode reagir de maneira diferente, por isso o acompanhamento é indispensável.
Via subcutânea: aplicação correta e cuidados necessários
A aplicação subcutânea deve ser feita preferencialmente na região do pescoço, onde a pele é mais solta e há menos risco de lesão muscular ou dano à carcaça.
O primeiro passo é sempre desinfetar o local com álcool ou outro antisséptico. Em seguida, formar uma prega cutânea com os dedos e inserir a agulha no ângulo correto facilita a aplicação e garante que o medicamento seja depositado entre a pele e o músculo.
Escolher o calibre e o comprimento adequados da agulha evita dor excessiva e reduz o risco de infecções. O volume máximo por aplicação geralmente não deve ultrapassar cinco mililitros, respeitando sempre as orientações do fabricante. Trocar a agulha utilizada a cada animal é indispensável para impedir a transmissão de doenças entre os bovinos.
Via intramuscular: pontos-chave para eficiência e segurança
A via intramuscular é muito utilizada pela praticidade e eficácia, porém requer atenção para evitar lesões. O local ideal é a parte anterior do pescoço, pois áreas como garupa e posterior podem ser aproveitadas para cortes nobres na carcaça. A agulha deve ser inserida perpendicularmente à pele, atingindo o centro do músculo.
Respeitar o volume máximo por aplicação (em geral, até dez mililitros) evita abscessos e facilita a absorção do medicamento. A escolha do calibre varia de acordo com o porte do animal. Após a aplicação, observar sinais de reação, como inchaço ou dor, é fundamental para agir rapidamente caso necessário.
Via intravenosa: quando utilizar e precauções
A administração intravenosa é reservada para situações específicas, como emergências, fluidoterapia ou medicamentos de ação imediata. O vaso mais utilizado é a veia jugular, localizada no pescoço do animal. O procedimento exige imobilização do bovino, higienização rigorosa do local e destreza na punção da veia.
Erros de técnica podem causar hematomas, infiltração do medicamento nos tecidos ou complicações graves. Por esse motivo, somente veterinários devem realizar esse tipo de aplicação. O acompanhamento durante todo o processo é fundamental para garantir a segurança do animal.
Via oral: técnicas para garantir a correta administração
A via oral é bastante adotada em vermifugações e suplementação. O uso de sonda ou pistola dosadora garante que o medicamento chegue ao estômago, evitando perdas. O volume administrado deve ser controlado, especialmente em bezerros ou animais debilitados, para impedir aspiração ou refluxo.
É indispensável garantir que o animal engula toda a dose e higienizar o equipamento após cada uso. A técnica tranquila e paciente reduz o estresse e aumenta a eficácia do tratamento.
Como controlar o período de carência e evitar resíduos?
O período de carência é o tempo mínimo entre a última aplicação e o consumo do leite ou abate do gado de corte. O não cumprimento desse intervalo pode causar presença de resíduos nos alimentos, gerando riscos à saúde pública e penalidades para o produtor. É obrigação do responsável pela fazenda consultar a bula e o receituário veterinário para saber o tempo exato de cada medicamento.
Registrar todas as aplicações e manter um histórico detalhado dos tratamentos realizados facilita o controle e a rastreabilidade do rebanho. Isso é essencial para auditorias e para assegurar que nenhum animal seja enviado ao abate ou que o gado leiteiro tenha o leite coletado antes do prazo correto.
Boas práticas para biosseguridade e higiene no manejo
A biosseguridade no manejo de medicamentos depende de cuidados rigorosos: uso de seringas e agulhas esterilizadas ou descartáveis, troca imediata a cada animal doente, escolha do calibre adequado, limpeza do local de aplicação e descarte correto dos resíduos. Os medicamentos devem ser armazenados em local protegido do calor, umidade e fora do alcance de crianças ou pessoas não autorizadas.
Essas práticas reduzem o risco de contaminação cruzada, aumentam a eficiência dos tratamentos e protegem a saúde do rebanho. Manter um ambiente limpo e organizado é parte fundamental para alcançar bons resultados.
A importância da orientação veterinária em todo tratamento
O acompanhamento do médico veterinário é indispensável em qualquer tratamento medicamentoso. Este profissional define o diagnóstico, a dose, o tipo de medicamento e acompanha a evolução do animal. Além disso, esclarece dúvidas e ajuda a evitar desperdícios.
Investir na orientação profissional reduz riscos de intoxicação, melhora os índices produtivos e garante um rebanho saudável. O apoio técnico é um diferencial para propriedades que buscam excelência.
Invista em responsabilidade e saúde animal
Cumprir as etapas, respeitar prazos e buscar a orientação de profissionais qualificados fortalece o negócio e diferencia o produtor no mercado.
O compromisso com a saúde e a nutrição animal é o caminho mais seguro para o sucesso e o crescimento da propriedade rural!







2 comentários
Bom dia!
Estou iniciando a atividade pecuária, portanto, tenho dúvidas sobre qual tamanho da agulha devo utilizar para aplicação de vacinas e outros medicamentos nos bovinos.
Favor me orientar.
Desde já agradeço.
Att.
Roney Amorim – 31 – 98751-9832 – WhatsApp
37 – 99957-3796
Olá Roney,
Via intravenosa (IV):
A aplicação IV é feita com agulhas descartáveis. Geralmente em calibração 40×12 ou 40×10. O tamanho e calibre das agulhas podem variar, dependendo da viscosidade e volume do medicamento.
Via intramuscular (IM):
A agulha para aplicação IM deve ser hipodérmica.
As injeções intramusculares são mais profundas, ou seja, necessitam de agulhas mais longas. Quanto mais viscosidade tiver o produto, maior é o calibre da agulha. Um calibre comum para as aplicações intramusculares é 25×15
Via subcutânea (SC):
Na aplicação SC também são utilizadas agulhas hipodérmicas.
Alguns calibres muito utilizados para administração dos medicamentos e principalmente para vacinas são 12×18 ou 15×15.
Vale ressaltar que o auxilio de um médico veterinário é muito importante para te ajudar na melhor forma de tratamentos e medicamentos em seus animais.
Estamos a disposição.