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Fisiologia e Utilização da Ocitocina Sintética

Dentre os hormônios reprodutivos envolvidos na lactação, a ocitocina merece destaque, pois, além de promover a descida do leite, estimula também as contrações musculares do útero no momento do parto, contribuindo para a expulsão da cria e da placenta.

Do total de leite produzido, 30 a 40% desce normalmente pelos canais galactóforos até a cisterna do teto, sendo denominado “leite cisternal”. O restante do leite produzido, 60 a 70%, fica retido na glândula mamária. Este é chamado de “leite residual” e só chega até o teto por ação da ocitocina que quando liberada naturalmente na corrente sanguínea do animal, ou por aplicação exógena, liga-se aos receptores existentes nas células mioepiteliais e provoca a contração da musculatura da glândula mamária, expulsando assim o leite e promovendo o total esgotamento.

Fisiologicamente, a liberação da ocitocina pelo organismo do animal ocorre como uma onda, entre 1 e 2 minutos após o início de um estímulo tátil ou ambiental, como o som da ordenhadeira mecânica. Possui meia-vida plasmática muito baixa, cerca de 10 a 15 minutos. Entretanto, há relatos de que a atividade fisiológica de uma única injeção intravenosa de ocitocina persista por cerca de 20 minutos em porcas e vacas.

A aplicação suplementar de ocitocina exógena pode ser usada como ferramenta para uma maior eficiência na ejeção do leite, visto que promove a remoção do leite residual. Em se tratando de animais de grau sanguíneo mais azebuado, esta utilização é ainda mais importante, pois estes animais apresentam maior dependência deste hormônio no fenômeno de ejeção do leite. Para obter tal benefício, a ocitocina deve ser utilizada de forma adequada em animais que necessitem desta “suplementação” e estejam contemplados dentro de um manejo de ordenha pré-estabelecido na propriedade.

 Leite Residual

Um dos problemas resultantes da retenção de leite é o aumento da incidência de mastite no rebanho, uma vez que o leite retido atua como fator irritativo do tecido epitelial de revestimento interno da glândula, além de constituir um substrato para o desenvolvimento de microrganismos.

Ressalta-se que os animais com maior grau de sangue zebuíno necessitam de níveis mais elevados de ocitocina para promover uma resposta eficiente na descida do leite. Desta maneira, vacas mestiças são mais susceptíveis às falhas inerentes à ejeção de leite quando comparadas às vacas de raça pura (Holandesa), podendo apresentar grandes volumes de leite residual.

 Importância do Manejo

Em situações de dor, estresse e infecções sistêmicas, ocorre a liberação de adrenalina, inibindo a ação da ocitocina. Sendo assim, o controle sanitário, as boas práticas na aplicação e o manejo adequado do rebanho são ferramentas essenciais dentro do sistema de produção e irão contribuir favoravelmente para a melhor resposta sobre o tratamento.

É importante destacar que as condições adversas de ordenha (amamentação de bezerro estranho, ordenha de vacas sem a presença do próprio bezerro e local de ordenha desconhecido) também afetam a liberação da ocitocina e, consequentemente, a regulação da ejeção do leite.

Diante deste quadro, as Boas Práticas de Manejo na sala de ordenha minimizam o estresse do animal e contribuem para a descida do leite. As principais medidas que devem ser adotadas para atingir este objetivo são:

    • A sala de ordenha deve estar localizada em uma área afastada e tranquila, para minimizar os estímulos externos.

 

    • A prática de uma rotina de ordenha induz a liberação da ocitocina endógena, pois o pré-dipping e a massagem dos tetos fazem parte desta rotina.

 

    • Oferecer conforto térmico aos animais, através de ambiente ventilado e se possível climatizado com aspersores, ventiladores ou nebulizadores.

Impacto para o Pecuarista

Atualmente, os pecuaristas possuem um grande desafio, já que há uma predominância de vacas com sangue zebuíno nos cruzamentos, e a presença do bezerro no momento da ordenha requer um aumento da mão-de-obra e gastos com instalações adequadas, devido ao avanço da tecnificação e à implantação de ordenhadeiras mecânicas. Estes dois fatores levam a uma maior dificuldade sobre a ejeção de leite em alguns animais, o que favorece o aumento dos casos de mastite pelo acúmulo de leite residual e consequentemente, menor produtividade.

 Boas Práticas de Aplicação da Ocitocina

No intuito de otimizar a produção e evitar os inconvenientes sobre as falhas de manejo, muitas propriedades adotaram a utilização da ocitocina sintética como auxiliar no tratamento de mastite por acúmulo de leite após o parto (leite residual) e em alguns animais que apresentam dificuldade de ejeção do leite.

Entretanto, toda aplicação de medicamento exige que sejam utilizadas medidas de Boas Práticas Clínicas, que favoreçam a resposta ao tratamento por permitir a utilização segura e adequada dos produtos, proporcionando maior produtividade ao rebanho. Sendo assim, é importante evitar o compartilhamento de agulhas, uma vez que esta prática representa um sério risco na disseminação de doenças. Deve-se ainda monitorar periodicamente as condições sanitárias do rebanho e separar os animais doentes dos sadios.

Quando se trata da ocitocina, esta deve ser administrada de preferência pelas vias intravenosa ou intramuscular, conforme a orientação de um médico veterinário. Além disso, é de extrema importância verificar se o produto “ocitocina sintética” está devidamente registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, qual é a dose indicada pelo fabricante e a via de administração. Em caso de dúvida, procure a orientação de um médico veterinário ou entre em contato com a indústria responsável pela fabricação do produto.

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Fonte: UCB VET