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A pecuária brasileira, principalmente a de corte, ocupa hoje uma posição de destaque na economia do país. Atualmente, o Brasil é o primeiro exportador de carne in natura, sendo seguido pela Austrália e Estados Unidos. O rebanho bovino no Brasil, em 2011, atingiu 180 milhões de cabeças, sendo que desse total, 41% é representado por fêmeas acima de 2 anos (aproximadamente 74 milhões). Além disso, é importante destacar que, 80% é constituído por bovinos de corte com origem, predominantemente, Bos indicus (ANUALPEC, 2012).

Em relação ao uso de biotecnologias, muitos países inseminam quase a totalidade de seus rebanhos bovinos. Calcula‐se que mais de 106 milhões de fêmeas sejam anualmente inseminadas em todo o mundo. No entanto, no Brasil, apesar de a venda de sêmen ter crescido mais de 50% nos últimos 10 anos, apenas 10% das fêmeas em idade reprodutiva são inseminadas (ASBIA, 2013). É sabido que através da IA convencional, é possível promover o melhoramento genético. Entretanto, a sua utilização sempre foi dificultada, principalmente, pelos problemas relacionados à detecção de cio, anestro pós-parto prolongado e puberdade tardia (Baruselli et al., 2006). Dessa forma, nos programas de IA que dependem da observação de cio, os resultados são lentos e o custo é elevado, o que faz com que a técnica se torne ineficiente (Mapletoft et al., 2008). Isso mostra que, de fato, ainda existe uma grande necessidade de se investir em biotecnologias que visam eficiência reprodutiva e melhoramento genético, a fim de promover o desenvolvimento da pecuária nacional.

Atualmente, os métodos de sincronização da ovulação para inseminação artificial em tempo fixo (IATF) possibilitam contornar esses problemas, ou seja, com o advento da IATF tornou-se possível obter melhoramento genético associado à eficiência reprodutiva.

Porém, mesmo com a IATF contornando todos os problemas citados acima, diversas fazendas ainda não conseguem atingir todos os objetivos quando utilizam touros de repasse após os protocolos de IATF. Um dos entraves desse manejo reprodutivo está na necessidade de um maior número de touros para a realização do primeiro repasse, uma vez que as fêmeas voltam em cio (cio de retorno) de forma bastante sincronizada (Marques et al., 2012). Além disso, com esse manejo é possível obter apenas, em torno de 50% de bezerros de IA, número esse que muitas vezes não é suficiente para atender a demanda do mercado ou atender a demanda do sistema produtivo adotado pela própria fazenda.

Dessa forma, buscando contornar tais impasses, outra opção de manejo que vem se destacando na atualidade é a ressincronização, ferramenta que já é amplamente utilizada em fazendas de leite de diversos países. No entanto, nos rebanhos de corte no Brasil, ainda é pouco utilizada. Mas têm despertado o interesse de muitos técnicos e pesquisadores que trabalham com manejo reprodutivo de fêmeas de corte (Marques et al., 2012). Tal técnica consiste no uso do protocolo de IATF, associado ao diagnóstico precoce de gestação (próximo de 30 dias após IA) e à subsequente ressincronização das fêmeas vazias, ou seja, é a repetição do protocolo de IATF nas fêmeas que não emprenharam da primeira IATF (Figura 1). Dentre as vantagens podemos citar a maximização do número de matrizes gestantes de IA no início da estação de monta e a possibilidade de reduzir o número de touros necessários ao repasse após a ressincronização.

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Figura 1. Desenho esquemático dos manejos para a ressincronização de fêmeas de corte para IATF. Demonstrando o início da ressincronização no dia do diagnótico de gestação (28 a 32 dias após a primeira IATF), apenas nos animais não gestantes. Sincronização – protocolo de sincronização da ovulação; IATF – inseminação artificial em tempo fixo; US – diagnóstico de gestação por ultrassonografia. (Marques et al., 2012).

No que diz respeito aos protocolos utilizados na ressincronização, deve-se utilizar o mesmo protocolo adotado na primeira IATF. Lembrando que a escolha do protocolo deve ser feita levando em consideração a categoria animal trabalhada.

Marques e colaboradores, em 2012, publicaram uma compilação de dados referentes à estação de monta de 2009-2010 e 2010-2011. Foi demonstrada que a taxa de prenhez à primeira IATF foi de 56,1% e na ressincronização foi de 49,3%, totalizando prenhez acumulada de 77,8%, alcançada dentro dos primeiros 40 dias da estação de monta. Houve uma variação das taxas de prenhez conforme a categoria animal trabalhada, sendo que vacas multíparas (56,3% e 52,7%) e novilhas (58,4% e 52,6%) apresentaram taxa de prenhez superior em relação às primíparas/secundíparas (53,1% e 34,9%), à primeira e segunda IATF, respectivamente. Ainda assim, foi possível obter acima de 75% de taxa de prenhez nos primeiros 40 dias de EM (incluindo todas as categorias animais), mantendo o intervalo entre partos médio de 11,6 meses (Figura 2).

Vale destacar que a categoria primípara/secundípara, na grande maioria das vezes, é a que se apresenta em maior grau de desafio nutricional. Uma vez que são fêmeas de primeira cria (jovens) que ainda se encontram em fase de crescimento e já estão com bezerro ao pé, ou seja, além do estresse do parto, da produção de leite e dos cuidados com o bezerro, ainda necessitam disponibilizar nutrientes para crescer. Tal condição potencializa a diminuição do escore de condição corporal no período após o parto e, consequentemente, as tornam mais susceptíveis aos baixos resultados, reduzindo a eficiência reprodutiva, principalmente quando mantidas em regimes, exclusivamente, a pasto (Sá Filho et al., 2012).

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Figura 2. Taxa de prenhez à primeira IATF e à ressincronização para segunda IATF em vacas de corte (Bos indicus) de diferentes categorias animais (novilhas, primíparas/secundíparas e pluríparas). Dados de 9.717 sincronizações para IATF durante as EM de 2009/2010 e 2011/2012 (Marques, et. al. 2012).

Contudo, acredita-se que utilizando o intervalo ideal do parto ao início do protocolo IATF, combinado ao suporte para o crescimento final do folículo (tratamento com eCG durante o protocolo de IATF) e o  escore de condição corporal ≥ 3 é possível obter resultados satisfatórios na IATF de vacas primíparas e, consequentemente, reduzir a variabilidade na taxa de prenhez em relação às fêmeas multíparas. Confirmando que, apenas com a integração dos aspectos nutricionais, sanitários e reprodutivos é possível obter sucesso nos programas de IATF nestas categorias de maior desafio (Sá Filho et al., 2012). Neste sentido, seguem abaixo os dados de prenhez de uma fazenda situada no município de Piçarras, no estado do Pará, referentes à estação de monta de 2012-2013 (Figura 3). A fazenda utilizou a linha reprodutiva Ourofino e o manejo adotado foi IATF + ressincronização. Os resultados comprovam que o uso de duas IATFs (sincronização + ressincronização) é uma excelente ferramenta para incrementar os índices reprodutivos/produtivos e elevar a lucratividade de uma propriedade de corte, independente da categoria animal trabalhada. O protocolo de IATF que foi utilizado pela fazenda tanto na IATF, como também na ressincronização, segue ilustrado na Figura 4.

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Figura 3. Taxa de prenhez à primeira IATF e à ressincronização (segunda IATF) em vacas de corte (Bos indicus) de diferentes categorias animais (primíparas e multíparas). Dados 1624 animais trabalhados, num total de 2345 sincronizações, durante as EM de 2012/2013.

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Figura 4. Figura ilustrativa do modelo do protocolo de IATF com a linha reprodutiva Ourofino utilizado pela fazenda durante IATF e ressincronização.

Como conclusão, temos que a correta condução dos trabalhos durante a estação de monta, certamente, resultará em bons resultados em todas as categorias animais. No entanto, vale lembrar que vários fatores podem afetar a taxa de prenhez, dentre eles devemos destacar a importância do uso de mão de obra treinada e qualificada, correta aplicação e conservação dos hormônios utilizados, seleção das fêmeas (avaliação de escore de condição corporal e “status” reprodutivo), condições adequadas de manejo, nutrição e sanidade, a qualidade do sêmen utilizado e sempre utilizar o protocolo mais indicado para cada categoria animal.

Na Agroline você encontra a linha completa de inseminação artificial de bovinos da Ourofino Agronegócio.

Fonte: Ourofino Agronegócio